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Cena de masturbação com crucifixo causa polêmica em filme




O irreverente filme do austríaco Ulrich Seidl, "Paradise faith", que compete pelo Leão de Ouro na Mostra de Veneza, junto com outros 17 filmes, escandalizou nesta sexta-feira (31) com uma cena de sexo com um crucifixo.

"Faith provoca escândalo", afirma o jornal italiano "Coriere della Sera" ao resenhar o filme decididamente anticlerical, protagonizado por uma fervorosa católica que se flagela, usa o cilício, caminha pela casa de joelhos, impreca os pecadores e chega a se masturbar com um crucifixo.

A cena, em que a católica Anna Maria, uma auxiliar de raios-X, lentamente tira o crucifixo da parede de seu quarto, o acaricia, o beija, torna a beijá-lo cada vez mais forte e intensamente, até que acaba se masturbando com ele sob as cobertas, é certamente uma das mais impressionantes do cinema atual.
 
O filme, uma história de excessos místicos, inclusive, uma fotografia do papa Bento XVI é difamada, arrancou risos e foi muito aplaudida durante a primeira projeção à imprensa especializada e provavelmente haverá reações na Itália, um dos países mais católicos do planeta, e no Vaticano.
 
Anna Maria acredita que o caminho que a levará ao paraíso reside em Jesus, Assim decide percorrer toda a cidade de Viena com uma imagem da Virgem Maria de cerca de quarenta centímetros segurando nas mãos, batendo de porta em porta para convencer as pessoas da necessidade a se unirem ao cristianismo.
 
O retorno um tanto inesperado após anos de ausência de seu marido, um muçulmano egípcio que está em uma cadeira de rodas, faz com que sua fé aumente. “A protagonista não entende que a adoração cega pro Cristo a converte em um ser inumano, incapaz de sentir amor e de comunicar a mais importante virtude cristã: amar ao próximo” comentou o diretor.
 
O filme, que faz parte da trilogia Paradise (os outros dois são “Paradise: Love” e “Paradise: hope”), do diretor Seidl, produzido por França, Áustria e Alemanha, denuncia com uma linguagem irônica o fanatismo religioso.
 
“Somos as tropas de assalto da Igreja” é o lema da comunidade religiosa a qual a protagonista pertence, que encarna a paixão tanto espiritual quanto carnal por Cristo.
 
O diretor, renomado documentarista, premiado em 2001 em Veneza por seu primeiro longa-metragem “Hundstage“, disse ter se inspirado nas peregrinações religiosas para convencer adeptos. “Ela é uma mulher decepcionada com o amor, com os homens e frustrada sexualmente. Sente um vazio interior”, explicou.




(G1)





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