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O namoro de Mônica e Cebolinha




Dizem os psicólogos que, sob a implicância infantil, esconde-se um sentimento amoroso profundo de uma criança em relação à outra, que elas ainda não compreendem e não sabem administrar. O mesmo se aplica para os dois personagens mais emblemáticos dos quadrinhos brasileiros – Mônica, a baixinha, gorducha e dentuça que não se separa de seu coelho de pelúcia, e Cebolinha, o menino de cabelo espetado, que troca os Rs pelos Ls e faz de sua missão pessoal atazanar a amiguinha do bairro.

Depois de anos de implicância nos quadrinhos, eles cresceram. E vão direcionar esse sentimento conflitante para engatar em um namoro sério na revistinha “Turma da Mônica Jovem”.



Na vida real, os personagens já tem mais de 50 anos. Cebolinha foi criado por Mauricio de Sousa em 1960, inspirado em um dos amigos de infância do cartunista. Mônica surgiu em tirinha três anos depois, baseada em uma das filhas de Mauricio. A partir de 1970, a garota ganhou suas próprias revistinhas, e Cebolinha seguiu o exemplo em 1973. Logo, outros personagens da chamada “Turma da Mônica” também ganhariam aventuras avulsas, como Magali e Cascão, nas quais os demais personagens faziam participações constantes.

A “Turma da Mônica” se transformou em patrimônio nacional e um pequeno império para Mauricio. Crianças de várias gerações foram alfabetizadas pelas historinhas e, mesmo depois de crescidas, ainda se lembram dos gibis com afeto. Mauricio potencializou a sua influência em uma marca de valores imensuráveis, atrelando os personagens à produtos diversos.



Hoje, mais que um artista exímio, Mauricio é um homem de negócios de mãos cheias – e é sintomático que alguns de seus filhos, que estimularam a sua criatividade e foram convertidos para os quadrinhos, estejam envolvidos ativamente nos frutos da criação.

A Mônica da vida real, por exemplo, dirige o departamento comercial. Hoje, ela admite que seus traços infantis foram replicados à perfeição na personagem: também tinha um coelhinho de pelúcia, era estourada, tinha os dentes salientes e brigava com a balança. Obviamente, porém, não se juntou em um par romântico com Cebolinha. Há muito tempo, a arte parou de imitar a vida e a caminhar com as próprias pernas, dando à criação de Mauricio um destino só seu.



Na série “A Turma da Mônica Jovem”, que surgiu em 2008, os personagens, que haviam empacado no tempo durante décadas, aparecem como adolescentes. Seguindo o estilo mangá, as aventuras não são coloridas, e são contínuas, ao invés das pequenas desventuras individuais dos gibis infantis.

Em entrevistas sobre as mudanças pelas quais os personagens passaram, o quadrinista reconhece que, no começo, teve receios de quebrar tabus, como mostrar que Cascão agora toma banhos, mas nunca duvidou do final feliz do casal mais famoso dos quadrinhos brasileiros.



“Hoje, os jovens de 15, 16 anos paqueram, dão seus beijinhos e sentem atração. Por isso, achei que estava na hora de a Mônica ter um momento de mulherzinha, mais crescida e ir para cima do Cebola com um beijinho”, disse o criador dos personagens.

O beijo veio em 2008, entre uma Mônica já magrinha e um Cebolinha – ou melhor, simplesmente Cebola – jovens. Depois disso, porém, houveram apenas alguns momentos sugestivos e uma ou outra crise de ciúme. Três anos depois, a coisa fica séria.



A 34ª edição de “A Turma da Mônica Jovem”, que chegou às bancas nessa sexta (27/5), traz um beijo de cinema entre os personagens logo na capa, sobre o título “Quer Namorar Comigo?”. O evento pelo qual os fãs esperaram por mais de 50 anos finalmente se concretizou – e a Mauricio de Sousa Produções não deixou passar batido.

Um dia antes, os personagens desfilaram pela Avenida Paulista, em São Paulo, agarradinhos em um conversível vermelho (a marca, vale lembrar, está quase inteiramente calcada na capital paulista, que também abrigou, durante anos, o Parque da Mônica – atração turística obrigatória para toda criança que já botou a mão em um gibi). Mas foi o próprio Mauricio que fez a ação de marketing alçar voos nacionais, ao estimular o interesse pela edição.



Em seu perfil no Twitter, o cartunista sugeriu que a edição seria histórica. “Não é por nada não mas… se você puder, compre mais de um exemplar da TMJ do namoro. Vai esgotar… e alguém vai te pedir depois”, escreveu sobre a revistinha, cuja tiragem inicial será de 500 mil exemplares.

Mauricio supervisiona o conteúdo dos gibis, mas não está diretamente envolvido com todos. Dessa vez, ele próprio escreveu o roteiro da historinha, junto da filha Marina Takeda e Sousa (aquela que inspirou a personagem que adora desenhar e pintar) e da roteirista de mangá Petra Leão.



A trama é, em linhas gerais, básica para o que se propõe – traz uma história de desafios e conquistas, em meio a muitas referências imprescindíveis para o pré-adolescente contemporâneo. O grande evento, porém, é atemporal, curioso e gratificante para todos os que já acompanharam a turma Mônica algum dia.

“Há muito tempo, estamos preparando esse número, que será, com certeza, item de colecionador”, afirmou Mauricio.



O diretor-presidente da Panini, a editora responsável pela publicação, endossa a declaração. “O lançamento dessa edição, que certamente já é um sucesso, surpreende e mexe com a emoção de todos que acompanham a turma mais querida do Brasil”, disse o executivo.
Não é por acaso que a revista da “Turma” crescida é o maior sucesso editorial dos últimos tempos. “Temos três tipos de leitores atualmente: os veteranos que já liam a revista e a tem como uma recordação da infância. Os jovens, que querem conferir para ver se os personagens agem e reagem como eles mesmos. E a criançada, que quer ser igual à ‘Turma da Mônica’ quando crescer”, contou Mauricio. “Eles vão curtir, achar interessante, bonitinho. Mas é capaz que os mais velhos falem: ‘Pecado, isso não poderia ter acontecido. Meus ídolos de infância envelheceram, eu eu também envelheci’.”







fonte: pipocamoderna 







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